O que queres que eu te faça?

Participamos ontem de uma maratona de oração. Divididos em grupos a cada duas horas, orando, intercedendo e colocando no altar nossos pedidos.

Nesta manhã “ruminando” no acontecido, veio a minha mente a seguinte pergunta de Jesus ao cego: “O que queres que eu te faça ?”. Jesus onisciênte fazendo esta pergunta ? Por quê?

Há muitas pessoas que vivem orando, pedindo, suplicando e nada acontece. Fazem como Jesus ensinou: pedem, batem e buscam, mas não recebem (1). O que será que está errado? Teria o Senhor Jesus se equivocado? Claro que não. Se Jesus disse que os que pedem, batem e buscam recebem é por que isso faz sentido.

A narrativa sobre este cego nos ensina muito a respeito do pedir. Primeiramente o cego tomou conhecimento de que havia um homem chamado Jesus, natural de Nazaré que estava fazendo milagres e curas. Ao tomar conhecimento desse fato ele relacionou essa pessoa ao Messias filho de Davi, que conforme as profecias haveria de vir para salvar o seu povo.

Mas onde o homem se encontrava ? A Palavra diz que Jesus estava chegando a Jericó, ainda não estava na cidade., portanto, o cego estava fora da cidade, pedindo esmolas. À margem da vida, totalmente alheio do que acontecia na cidade. Era deixado de lado, esquecido. Muitos o ajudavam com dinheiro, mas não o ajudavam a sair daquele lugar, eram os amaldiçoados da época, os desprezados.

Ali, quando as pessoas entravam na cidade passavam por ele. Quantas pessoas já haviam passado pela vida daquele homem. Já eram comuns aos seus ouvidos os passos, a falação, o barulho das moedas caindo em seu favor. Mas, no dia em que Jesus passou ele percebeu que algo diferente estava acontecendo.

Muitos de nós vivemos à margem da vida, da nossa própria vida, mendigando qualquer coisa que as pessoas quiserem nos dar (atenção, amor, respeito, diálogo, etc.) Sentados do lado de fora, percebemos a vida passando por nós e corremos o risco de não vivê-la. É possível que Jesus tenha passado muitas vezes por nós, mas nossa cegueira não nos deixou ver e nossos ouvidos estavam ocupados de mais com outras coisas para ouvir sua voz.

Aquele homem percebeu a presença de Jesus e teve sua primeira atitude de fé. A curiosidade de saber por que algo diferente estava acontecendo, fez com que ele saísse do seu lugar e perguntasse a alguém. E a resposta: “É Jesus!” animou de tal forma que não pensou duas vezes antes de começar a gritar: ”Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”(2). Sabia que Jesus era o único que podia tirá-lo daquele lugar e condição.

A segunda atitude foi a persistência. As pessoas que ouviam o cego gritar: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!”(2) o faziam calar a boca, mas cada vez ele gritava mais alto, não desistiu.

Jesus parou. Ele ouviu o clamor do cego, mas não foi até ele. Jesus poderia ir até onde aquele homem estava, mas desejou que ele saísse do seu lugar.

Ajudado por alguns que entenderam que o Reino de Deus é amor e inclusão, aquele homem se aproximou de Jesus.

A terceira atitude foi focar a necessidade. Ele queria voltar a ver. Quando Jesus lhe pergunta: “que queres que eu te faça?”(3) ele prontamente respondeu sem titubear: “que eu veja”(3).

Jesus responde ao cego de maneira muito serena e tranqüila: “recupere a tua visão, a tua fé te curou”(4). O cego não tentou explicar nada mais do que dizer: “quero ver de novo”. Um pedido bem curto sem floreios.

Quando pedimos um bençãos de maneira generalizada corremos o risco de não ver com nitidez a resposta divina. Todavia, quando se pede de maneira objetiva, como o cego, poderemos ter uma resposta bem específica.

Já imaginaram as conseqüências do pedido respondido? Curado, teria que sair da beira do caminho, não poderia mais mendigar, pois teria condições de trabalhar e assumir a própria vida.

Conseqüência da cura: ter a responsabilidade de viver. Por isso, Jesus pergunta, quer saber se realmente aquele homem, e nós hoje, queremos receber a cura e, com ela, a responsabilidade de viver.

Esta provavelmente é a razão da pergunta: Nosso Deus não é muleta, nem secretário. Ele cura-nos para que saiamos da condição cômoda e assumamos nossa vida.

“O que queres que eu te faça? Estás pronto para assumir uma nova vida? Abandonar a beira do caminho e se colocar a caminho? Caminhar comigo? Vida em abundância é a promessa para aquele que tem coragem de sair do seu comodismo e pedir a cura.”

Ainda hoje, a pergunta de Jesus está a ecoar: “O que queres que eu te faça?”.

Não sei qual a sua necessidade, mas de uma coisa sei, se pedir com fé e crendo, com certeza Ele vai lhe atender. Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Peça, clame, busque dizendo: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim”.

Com certeza Ele fará com você o que fez com o cego, terá misericórdia, pois as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos (5), elas se renovam a cada manhã (6).

Graça e Paz.

REFERÊNCIAS (1) Mt 7.7-12, (2)(3)(4) Lc 18.35-43, (5)(6) Lm 3.7-23

Texto original do Rev. Washington Paulo Emrich da Igreja Presbiteriana e de Carol Carolo.

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Sobre marcospoorman

O objetivo deste blog é edificar os irmãos em Cristo através de uma coletânea de mensagens escritas durante minha caminhada cristã.
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